Edições Natureza © - Todos os direitos reservados. 2.003 - 2.015

 

 

 

   Vitamina C

 
 

A vitamina C é também conhecida sob o nome de ácido ascórbico. É uma vitamina hidrossolúvel, termolábil. Previne o escorbuto, facilita a circulação sangüínea, favorece a boa dentição. "Nos dentes, pela carência de vitamina C, os odontoblastos, em vez de formarem dentina, forma tecido osteóide; as gengivas se ingurgitam; forma-se tecido esponjoso; há hemorragias fáceis, ulcerações, infecções secundárias, e , finalmente, pode haver uma gengivite expulsiva com queda dos dentes por comprometimento dos alvéolos".

Mais algumas de suas principais funções: auxilia na defesa contra infecções; protege o sistema vascular, principalmente os capilares; colabora com o ferro na formação da hemoglobina; auxilia a função glandular, sobretudo na supra-renal; contribui para o desenvolvimento dos ossos; tem papel significativo no tecido conjuntivo; favorece a cicatrização das feridas.

Os portadores de feridas que não querem fechar, devem fazer uso abundante das frutas cítricas (laranja, tangerina, lima, limão), do mamão, do caju, do pimentão, etc.., que são riquíssimas fontes naturais de vitamina C.

A falta de vitamina C na alimentação acarreta o escorbuto, que representava verdadeira calamidade na época dos descobrimentos, dizimando os tripulantes do veleiros nas grandes travessias. Entre nós, esse mal também se fez sentir dramaticamente na retirada de Laguna.

O escorbuto pode ser provocado não só pela carência do ácido ascórbico na alimentação, mas também por deficiência na absorção dessa vitamina, bem como por fatores que aumentem sua excreção, ou, ainda, por aumento da necessidades orgânicas, como no caso de crescimento, gravidez, infecções, diabetes, tumores malignos, excesso de atividade muscular, etc.

A carência de vitamina C pode também revelar-se numa forma de anemia rebelde ao tratamento com sais de ferro, pois que o ácido ascórbico é fator de regeneração e formação do sangue. Eis porque os indivíduos com tendências à anemia crônica devem fazer uso abundante de frutas e verduras cruas, ricas em vitamina C, e de alimentos que contenham elevado teor de ferro, como, por exemplo, o melado.

Outra evidência da falta de vitamina C no organismo é que os capilares sangüíneos se enfraquecem e deixam extravasar o sangue, dando lugar a pequenas hemorragias, que se manifestam mormente nas gengivas e na pele. As gengivas se apresentam arroxeadas, com aspecto doentio, e sangram com facilidade, infeccionando-se com freqüência. A pele exibe equimoses (manchas roxas) espontâneas, popularmente conhecidas como "melancolia", porque muitas vezes aparecem provocados por preocupações ou aborrecimentos. É que a tensão mental acarreta então o aumento da pressão sangüínea, os capilares enfraquecidos facilmente se rompem, e o sangue extravasado aparece sob a pele. Daí a mancha arroxeada. Nas mulheres, aparecem comumente nas coxas.

Fortalecendo os capilares sangüíneos, a vitamina C desempenha também papel anti-alérgico.

Quando a carência da vitamina C se manifesta na criança, entre os vários sintomas que denunciam essa deficiência, verifica-se que a higidez dentária é afetada, havendo alterações na implantação, na forma e na cor dos dentes, que se desenvolvem mal.

Muitas pessoas ainda não sabem que o cobre é um dos mais perigosos inimigos da vitamina C, cujas principais propriedades são anuladas pela oxidação, que ocorre lentamente a frio e rapidamente a quente. A oxidação da vitamina C é mais intensa com o cobre do que com outros metais (ferro e alumínio), com materiais plásticos, com o barro, etc.

Sinónimos

Ácido ascórbico, vitamina anti-escorbútica.

Principais fontes na natureza

 Citrinos, groselhas pretas, pimentão doce, salsa, couve-flor, batatas, batatas doces, bróculos, couves de bruxelas, morangos, goiaba, manga. Dependendo da estação, um copo de tamanho médio de sumo de laranja fresco (i.e. 100g) rende cerca de 15 a 35 mg de vitamina C.

Homem

Os primatas e o porco-da-india dependem de fontes externas para cobrir as suas necessidades de vitamina C. A maioria dos outros animais sintetiza o ácido ascórbico no interior do corpo.

Conservação

A vitamina C é sensível ao calor, luz e oxigénio. Nos alimentos pode ser parcialmente ou completamente destruída por um armazenamento longo ou pela sobrecozedura. As batatas, por exemplo, quando armazenadas à temperatura ambiente perdem cerca de 15% do seu conteúdo em vitamina C todos os meses e a cozedura de batatas descascadas destrói outros 30-50% da sua vitamina C.

Principais antagonistas

Várias substâncias químicas às quais o homem está exposto, tais como a poluição aérea, as toxinas industriais, os metais pesados e o fumo do tabaco, bem como vários componentes farmacológicos activos, entre os quais alguns anti-depressivos e diuréticos, podem levar a necessidades acrescidas de vitamina C. Isto é também verdade para certos hábitos como, por exemplo, o consumo de álcool.

Principais sinergistas

A presença de outros anti-oxidantes, tais como a vitamina E e o b-caroteno, apoia a acção protectora anti-oxidante da vitamina C. Outras vitaminas, tais como as do complexo B (particularmente a B6, B12, ácido fólico e ácido pantoténico) e algumas substâncias farmacológicas activas, bem como os compostos que ocorrem na natureza, conhecidos como bioflavonóides, podem ter um efeito de poupança da vitamina C.

Funções

A vitamina C é necessária para a produção de colagénio, a substância do tipo ?cimento? intercelular que dá estrutura aos músculos, tecidos vasculares, ossos e cartilagens. A vitamina C também contribui para a saúde dos dentes e gengivas e auxilia na absorção do ferro a partir da dieta. É também necessária para a síntese dos ácidos biliares.

Para além disso, a investigação mostrou o papel da vitamina C em:

síntese de várias hormonas e neuro-transmissores importantes

  • metabolismo do ácido fólico
  • função imunitária
  • função redox/anti-oxidante
  • nas reacções metabólicas de certos amino-ácidos, em particular na prevenção da formação de nitrosaminas potencialmente carcinogénicas no estômago (devido ao consumo de alimentos contendo nitrite, tais como a carne fumada ou os pickles).

Deficiência marginal

Os primeiros sintomas da deficiência inicial de vitamina C são a fadiga, a lassidão, a perda de apetite, a sonolência e insónia, o sentimento de exaustão, irritabilidade, baixa resistência às infecções e petéquia (pequeno sangramento capilar). Estes sintomas podem, no entanto, indicar outras doenças.

Grupos em risco de deficiência marginal

Entre os grupos de pessoas em risco de fornecer ao corpo quantidades insuficientes de vitamina C de forma a manter um nível óptimo no sangue estão os fumadores, os alcoólicos, os idosos em lares e os pacientes sujeitos a certos medicamentos. As necessidades de vitamina C para os fumadores nos EUA é superior em 40 mg às dos não fumadores.

Deficiência Franca

A deprivação de vitamina C durante um período suficiente de tempo leva ao escorbuto, o qual se caracteriza pelo enfraquecimento das estruturas de colagénio (tecido de ligação das células), resultando no sangramento capilar alargado. O escorbuto infantil causa

malformações ósseas. O sangramento das gengivas e a queda dos dentes são normalmente os primeiros sinais da deficiência clínica. As hemorragias sob a pele causam sensibilidade extrema das extremidades e dores durante o movimento. Se deixada sem tratamento pode seguir-se a gangrena e a morte. Hoje em dia, o escorbuto ocorre com relativa raridade. Para evitar o escorbuto, é considerada suficiente a ingestão diária de 10-15 mg de vitamina C, mas para um funcionamento fisiológico óptimo são necessárias quantidades muito superiores.

Dose Diária Recomendada (DDR)

A ingestão diária recomendada de vitamina C varia de acordo com a idade, sexo, grupo de risco (ver ?Grupos de risco?) e com os critérios aplicados nos países individuais. Nos EUA, a DDR para os adultos é actualmente de 60 mg (Conselho Nacional de Investigação), mas esta recomendação varia desde 30 mg no Reino Unido a 100 mg na antiga União Soviética (200 mg para as grávidas). Provas recentes estabelecem a estimativa para as necessidades de manutenção de uma saúde óptima na região dos 100 mg diários.

Suplementos

A vitamina C está disponível em comprimidos convencionais, efervescentes e mastigáveis, comprimidos de libertação temporizada, xaropes, pós, granulados, cápsulas, gotas e ampolas, tanto isoladamente como em preparações de polivitaminicos e minerais.

Utilização terapêutica

Os médicos recomendam que as mulheres grávidas aumentem a sua ingestão de vitamina C em cerca de 30% e durante a lactação é aconselhado um aumento de até 60-70% de forma a garantir as necessidades da mãe, dado que um litro de leite materno contém cerca de 50 mg de vitamina C. Durante um período pós-operativo ou durante a cura de feridas superficiais, os suplementos de vitamina C contribuem para a prevenção de infecções e promove a reparação da pele.

Segurança

Embora tenha sido ingeridas regularmente por várias pessoas quantidades tão altas quanto 6-10g de vitamina C por dia (mais de 100 vezes a DDR), não existem evidências de efeitos colaterais. A suplementação prolongada com doses elevadas pode ter um certo efeito laxativo.

Estudos com porcos-da-índia (uma das espécies de animais apropriadas) e com seres humanos não confirmaram os relatos anedóticos de retorno do escorbuto após a paragem súbita de suplementação prolongada com doses elevadas de vitamina C.

História

O escorbuto é uma das mais antigas doenças conhecidas da humanidade. Existem evidências da sua existência no Antigo Testamento, nos papiros de Ebers e na escrita de Plínio. Durante a Idade Média, o escorbuto era endémico no norte da Europa e no final do sec. XVII tornou-se um problema grave entre os marinheiros nas longas viagens de exploração.

 

Cerca de 400 a.C. Hipócrates descreve os sintomas do escorbuto.

1747

O médico naval James Lind receita laranjas e limões como uma cura para o escorbuto.

1907

O escorbuto é produzido experimentalmente em porcos-da-india por Holst e Frohlich.

1917

Bioensaio desenvolvido por Chick e Hume para determinar as propriedades anti-escorbúticas dos alimentos.

1930

Dr. Albert Szent-Györgyi demonstra que o ácido hexurónico que ele isolou inicialmente das glândulas supra-renais dos porcos em 1928 é idêntico à vitamina C, a qual ele extrai em grandes quantidades de pimentões doces.

1932

Os esforços independentes de Sir Norman Haworth e do Dr. Glen King estabelecem a estrutura química da vitamina C.

1932

A relação entre a vitamina C e o factor anti-escorbútico é descoberta por Szent-Györgyi e ao mesmo tempo por King e Waugh.

1933

Em Basileia, o Dr.Tadeusz Reichstein sintetiza um ácido ascórbico idêntico à vitamina C natural. Este é o primeiro passo em direcção à produção industrial da vitamina em 1936.

1937

Haworth e Szent-Györgyi recebe o prémio Nobel para a sua investigação sobre a vitamina C.

1970

O Professor Linus Pauling chama a atenção mundial com o seu best-seller controverso ?A vitamina C e a constipação?.

1975-79

Estudos experimentais in vitro ilustram as propriedades antioxidantes e de extinção do oxigénio singleto da vitamina C.

1979

Packer e os seus colaboradores observam a interacção de radicais livres da vitamina E e da vitamina C.

1982

Niki demonstra a regeneração da vitamina E pela vitamina C.

1985

As necessidades mundiais de vitamina C estão estimadas em 30.000- 35.000 toneladas por ano.

1988

O Instituto Nacional do Cancro (EUA) reconhece a relação inversa entre a ingestão da vitamina C e as várias formas de cancro e emite indicações para o aumento da vitamina C na dieta.

  Fontes de vitamina C:

100 gramas de alimento

Vitamina C (miligramas)

100 gramas de alimento

Vitamina C (miligramas)

Bertalha

109,8

Mamão

57,0

Beterraba

58,0

Manga

43,0

Bredo

77,4

Manga Rosa (Meio Madura)

71,4

Brócolis (folhas)

80,8

Manga Rosa (verde)

146,0

Caju amarelo

219,7

Nabo branco (folhas)

65,9

Caju vermelho

274,8

Pimentão amarelo

334,1

Caruru

74,4

Pimentão verde miúdo

191,6

Cebola pequena

50,0

Pimentão vermelho

180,0

Couve-manteiga

108,0

Pitomba

54,0

Couve-flor

72,0

Rabanete Vermelho (folhas)

56,6

Fruta-do-conde (verde)

125,0

Rábano Preto (folhas)

73,6

Goiaba

80,2

Salsa

183,4

Groselha preta

180,0

Tangerina

46,8

Laranja bahia (suco)

47,5

Uvaia

200,4

Limão comum (suco)

79,0

 

 



Medicina Alternativa®