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   Vitamina B6

 
 

A vitamina B6 chama-se também piridoxina e adermina. É solúvel na água, estável aos álcalis e aos ácidos, resistente ao calor, mas decompõe-se rapidamente à luz ultravioleta. Encontra-se, na natureza, livre ou combinada com substâncias protéicas. Sua deficiência produz a pelagra.

Na medicina produz bons resultados no combate à pelagra, nos casos resistentes às outras vitaminas do complexo B. "Indivíduos tratados com ácido nicotínico, tiamina e riboflavina continuaram com sintomas residuais da pelagra (perturbações nervosas, insônia, irritabilidade, fraqueza muscular, etc.), sintomas estes que desaparecem mediante a terapêutica de 50 mg de piridoxina sintética. Também são referidos bons resultados com emprego da B6 no tratamento da distrofia muscular pseudo-hipertrófica, na miastenia, na epilepsia idiopática e na anemia macrocrítica, da pelagra".

Sinónimos

O termo vitamina B6 ou piridoxina é utilizado para cobrir um grupo de compostos que são metabolicamente intermutáveis, nomeadamente o piridoxol (o álcool), o piridoxal (o aldeído) e a piridoxamina (a amina).

Principais fontes na natureza

A vitamina B6 liga-se principalmente às proteínas nos alimentos. O piridoxol encontra-se especialmente nas plantas, enquanto que o piridoxal e a piridoxamina são principalmente encontradas nos tecidos animais. As galinhas e o fígado de vaca, são fontes de piridoxina. As boas fontes incluem o peixe (atum, truta, halibute, arenque e salmão), nozes (amendoins, avelãs), pão, milho e cereais de grão integral. Geralmente os vegetais e as frutas são fontes pobres de vitamina B6, embora existam produtos nestas classes alimentares que contêm quantidades consideráveis de piridoxina, tais como os feijões e a couve-flor, as bananas e as passas.

Homem

E os outros primatas dependem de fontes externas para cobrir as suas necessidades de vitamina B6. Podem ser sintetizadas pelas bactérias intestinais quantidades negligenciáveis de vitamina.

Conservação

A vitamina B6 é relativamente estável ao calor mas decompõe-se por oxidação e luz ultra-violeta e por ambientes alcalinos. A congelação de vegetais causa uma redução de até 25%, a moagem de cereais, gera um desperdício tão elevado como 90%. As perdas por cozedura de alimentos processados podem alcançar os 40%.

Principais antagonistas

Existem mais de 40 medicamentos que interferem com a vitamina B6, os quais podem causar uma disponibilidade diminuída e mau estado da vitamina B6. Os principais antagonistas incluem:

  • Desoxipiridoxina, um anti-metabolito eficaz
  • Isoniaside, uma droga tuberculostática
  • Hidralazina, um anti-hipertensor
  • Ciclosserina, um antibiótico e
  • Penicilamina, utilizada no tratamento da doença de Wilson.

A vitamina B6, por outro lado, pode actuar em si mesma como um antagonista nos pacientes com doença de Parkinson e que estejam sob tratamento com L-dopa. Em tais casos, pode contrariar o efeito da L-dopa.

Principais sinergistas

Certas vitaminas do complexo B (niacina, riboflavina, biotina) podem actuar em sinergia com a piridoxina. A niacina e a riboflavina são necessárias para a interconversão das diferentes formas de vitamina B6.

Funções

A principal função metabólica da vitamina B6 é como coenzima. Tem um papel importante no metabolismo das proteínas, hidratos de carbono e lípidos; as suas principais funções são: a produção de epinefrina, serotonina e outros neurotransmissores; a formação do ácido nicotínico da vitamina; a decomposição do glicogénio; o metabolismo dos aminoácidos.

Deficiência Marginal

É raro o estado de deficiência dietária que mostre sintomas de deficiência clínica definidos, embora quase 50% das dietas avaliadas no Estudo de Consumo de Alimentos dos EUA de 1977-78, forneça menos de 70% da ingestão recomendada. De forma semelhante, um inquérito nutricional mostrou que três quartos de (...) produzem mais ácido xanturénico na urina. Se a administração de 100 mg de triptofano por quilo de peso, levar a uma excreção de ácido xanturénico em excesso de 30 mg em 24 horas, pode ser diagnosticada uma deficiência em piridoxina.

Grupos em risco de deficiência marginal

Entre as pessoas em risco de uma ingestão/estado insuficiente de piridoxina estão:

  • As mulheres grávidas e a amamentar. Isto deve-se aos requisitos adicionais feitos pelo feto ou pelo bebé.
  • As mulheres que tomam contraceptivos orais com elevado teor de estrogénio.
  • Os alcoólicos crónicos. A bebida em excesso pode debilitar gravemente a capacidade do fígado para sintetizar PLP.
  • Pessoas com uma elevada ingestão de proteínas, dado que o metabolismo da proteínas depende da presença da piridoxina.

Deficiência Franca

Uma dieta com baixo teor de piridoxina pode levar a uma anemia hipocrómica (descida anormal do conteúdo de hemoglobina dos eritrócitos) e perda de capacidade de converter o triptofano em ácido nicotinico. A deficiência induzida por antagonistas ou certos erros genéticos do metabolismo dos aminoácidos pode, se não for convenientemente tratada, resultar em:

  • Fraco crescimento
  • Convulsões de origem cerebral, especialmente ataques convulsivos em bebés
  • Formação de anticorpos diminuída
  • Lesões na pele, p.ex. dermatite seborreica
  • Problemas abdominais, vómito
  • Pedras no rim
  • Anormalidades electroencefalográficas
  • Nevrite periférica, degeneração nervosa

Estes problemas podem também indicar outros problemas de saúde que não a deficiência em piridoxina e por isso o tratamento devee sempre ter lugar sob supervisão médica.

Dose Diária Recomendada (DDR)

A ingestão diária recomendada da vitamina B6 varia de acordo com a idade, sexo, grupos de risco (ver ?Grupos de risco?) e com os critérios aplicados. Nos EUA, a DDR para os adultos do sexo masculino está actualmente fixada em 2,0 mg por dia e em 1,6 mg para as mulheres.

As necessidades de vitamina B6 aumentam quando são ingeridas dietas alimentares de elevado nível de proteínas, dado que o metabolismo das proteínas apenas pode funcionar convenientemente com a assistência de piridoxina. As mulheres grávidas e a amamentar precisam de uma dose adicional de 0,5 a 0,6 mg para compensar as necessidades aumentadas feitas pelo feto ou pelo bebé.

Suplementos

A forma da vitamina B6 mais frequentemente disponível é o hidrocloreto de piridoxina, o qual é utilizado na fortificação dos alimentos, suplementos nutricionais e produtos terapêuticos tais como cápsulas, comprimidos e ampolas.

Utilização terapêutica

Casos geneticamente condicionados de dependência de piridoxina incluem certos tipos de anemia e anormalidades no metabolismo dos aminoácidos. Em tais casos, são indicadas doses terapêuticas de aproximadamente 40-200 mg de vitamina B6 por dia.

A piridoxina é frequentemente administrada em doses de 40 mg/dia no tratamento de náuseas e vómitos (hiperemese da grávida) durante os meses iniciais da gravidez e durante o decurso da gravidez e da amamentação. É frequentemente utilizada para ajudar no alívio da depressão (nas mulheres que tomam contraceptivos orais) e no síndroma pré-menstrual. As pesquisas sugeriram ainda que:

  • Certos pacientes com diabetes mellitus ou diabetes de gravidez experimentam uma melhoria na tolerância à glucose quando recebem suplementos de vitamina B6.
  • Os pacientes com asma podem sentir menos ataques e com menor gravidade de sibilo, tosse e dificuldades de respiração com a vitamina B6.
  • Os pacientes com o síndroma de canal cárpico podem beneficiar de elevadas doses de vitamina B6.
  • Uma dose de 25-200 mg de piridoxina pode ter efeitos benéficos no tratamento de doenças da radiação.

Segurança

A vitamina B6 em todas as suas formas é bem tolerada. Têm sido administradas sem efeitos adversos doses orais diárias de piridoxina de até 50 vezes a Dose Diária Recomendada (cerca de 100 mg) por períodos de até 3-4 anos.

Doses diárias de 500 mg ou mais podem causar neuropatia sensorial após vários anos de ingestão, enquanto que a ingestão de quantidades em excesso de 1g por dia podem levar a uma neuropatia sensorial em poucos meses. Felizmente estes efeitos colaterais são reversíveis em larga escala, assim que se cessa a ingestão da vitamina B6. Hoje em dia, a ingestão prolongada de doses que excedem os 500 mg diários é considerada com tendo o risco de causar efeitos adversos em certas pessoas enquanto que doses de 200 mg ou inferiores são consideradas como seguras.

História

A vitamina B6 foi descoberta quase como um produto secundário dos estudos sobre a pelagra, uma doença de deficiência causada pela ausência no corpo da vitamina niacina. A vitamina B6 ganhou um significado imenso com a descoberta do seu papel importante na nutrição humana e animal na década de 40.

1926

Goldberger, Wheeler, Lillie e Rogers alimentam ratos com uma dieta deficiente no que é considerado como o factor de prevenção da pelagra; estes animais desenvolvem lesões de pele.

1934

György identifica pela primeira vez o factor como vitamina B6, ou adermina, uma substância capaz de curar uma doença de pele característica dos ratos (dermatite acrodinia). O factor é então chamado o factor anti-acrodinia dos ratos, a deficiência do qual causa a chamada ?pelagra dos ratos?.

1935

Birch e György conseguem diferenciar a riboflavina e a vitamina B6 do factor específico de prevenção da pelagra (P-P) de Goldberger e dos seus associados.

1938

Lepkovsky é o primeiro a relatar o isolamento da vitamina B6 cristalina pura. Independentemente, mas ligeiramente mais tarde, vários outros grupos de pesquisadores relataram também a isolação da vitamina B6 cristalizada a partir de arroz polido (Keresztesy e Stevens; György, Kuhn e Wendt; Ichiba e Michi).

1939

Harris e Folkers determinam a estrutura da piridoxina e são capazes de sintetizar a vitamina. György propõe o nome piridoxina.

1945

Snell é capaz de mostrar que existem duas outras formas naturais da vitamina, nomeadamente, o piridoxal e a piridoxamina.

1957

Snyderman estabelece as necessidades de vitamina B6 nos seres humanos.

 As mais ricas fontes são o lêvedo de cerveja, os cereais integrais, os legumes, os vegetais verdes, o leite.



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