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   Vitamina B5 (Niacina )

 
 

A niacina, que também se chama ácido nicotínico, é uma vitamina antipelagrosa.

Suas principais funções: participa nos mecanismo de oxidação celular; intervém no aproveitamento normal dos prótides pelo organismo; influencia o metabolismo do enxofre; ativa o mecanismo dos glúcides. Aliás, não só a niacina, mas também suas duas irmãs do complexo B já estudadas, a riboflavina e a tiamina, desempenham grande papel na demolição e síntese glucídicas.

A carência de niacina faz-se responsável pelo aparecimento da pelagra, uma avitaminose caracterizada por eritema das partes descobertas, perturbações digestivas, nervosas e mentais. "A pelagra é conhecida como a doença dos 3D: Dermatite (eritema e descamação); Diarréia ( e lesões concomitantes na mucosa oral e língua); Demência ( e outros sintomas psicóticos: alucinações, delírios, amnésia)".

Sinónimos

O ácido pantoténico pertence ao grupo das vitaminas do complexo B. O nome vem do grego e significa ?de toda a parte?. Os nomes anteriores foram vitamina B5, vitamina antidermatose, factor de antidermatite dos frangos e factor antipelagra dos frangos. A forma que ocorre naturalmente é o ácido D-pantoténico.

Principais fontes na natureza

O ácido pantoténico tem distribuição alargada nos alimentos, na maior parte incorporado no coenzima A (coenzima de acetilação). É particularmente abundante na levedura e nas carnes de orgãos (fígado, rins, coração e cérebro), mas os ovos, leite, vegetais, legumes e cereais de grão inteiro são provavelmente as fontes mais comuns. Os alimentos processados contêm pequenas quantidades, excepto quando aquelas perdidas durante o processamento são recolocadas depois. O ácido pantoténico é sintetizado pelos microrganismos intestinais, mas a quantidade produzida e o seu papel na nutrição humana são desconhecidas.

Estabilidade

O ácido pantoténico é estável em condições neutrais, mas é facilmente destruído pelo calor em soluções alcalinas ou ácidas. Podem ser perdido até 50% durante a cozedura (devido a lixiviação) e até 80% como resultado do processamento e refinamento dos alimentos (enlatamento, congelação, moagem, etc.). A pasteurização do leite causa apenas pequenas perdas.

Principais antagonistas

O etanol causa um decréscimo na quantidade de ácido pantoténico nos tecidos, o que resulta num aumento nos níveis séricos. Tem sido por isso sugerido que a utilização do ácido pantoténico é diminuída nos alcoólicos.

O antagonista mais comum do ácido pantoténico que é utilizado experimentalmente para acelerar o surgimento dos sintomas de deficiência é o ácido pantoténico omega-metilo. O ácido L-pantoténico tem também sido demonstrado como tendo um efeito antagonista nos estudos em animais.

O brometo de metilo, um fumigante utilizado para controlar os parasitas em locais onde os alimentos são armazenados, destrói o ácido pantoténico nos alimentos a ele expostos.

Principais sinergistas

Vários estudos indicaram que a vitamina B12 pode ajudar na conversão do ácido pantoténico livre no coenzima A. Na ausência da B12, a produção do coenzima A é diminuída e o metabolismo das gorduras comprometido. Nas experiências animais, o ácido ascórbico (vitamina C) tem sido demonstrado como diminuindo a severidade dos sintomas da deficiência em ácido pantoténico; a vitamina A, a vitamina B6, o ácido fólico e a biotina também são necessários para a utilização correcta do ácido pantoténico.

Funções

O ácido pantoténico, como um constituinte do coenzima A, tem um papel chave no metabolismo dos hidratos de carbono, proteínas e gorduras e é por isso importante na manutenção e reparação de todas as células e tecidos. Está envolvido nas reacções que fornecem energia, na síntese de compostos tão vitais como os esteróis (p.ex. colesterol), hormonas (p.ex. crescimento, stress e sexuais), neurotransmissores (p.ex. acetilcolina), fosfolípidos (componentes das membranas celulares), porfirina (componente da hemoglobina, o pigmento transportador de oxigénio dos glóbulos vermelhos) e anticorpos e no metabolismo dos medicamentos (p.ex. sulfonamidas). Outro papel essencial do ácido pantoténico é a sua participação na proteína transportadora de acil, uma enzima envolvida na síntese dos ácidos gordos.

Deficiência marginal

Dado que o ácido pantoténico ocorre largamente em todos os alimentos, é geralmente assumido que a deficiência dietária desta vitamina é extremamente rara. No entanto, a deficiência de ácido pantoténico nos humanos não está bem documentada e provavelmente não ocorre isolada, mas em conjunto com deficiências de outras vitaminas do complexo B.

Deficiência franca

As manifestações clínicas que podem ser claramente identificadas como deficiência dietária do ácido pantoténico não foram identificadas, embora tenha estado implicada no síndroma de ?pés ardentes?, uma situação observada entre os prisioneiros de guerra mal-nutridos da década de 40. Os sintomas de deficiência têm sido produzidos experimentalmente pela administração do antagonista ácido pantoténico omega-metilo. Estes incluem fadiga, dores de cabeça, perturbações de sono, náusea, dores abdominais, vómitos e flatulência. Os pacientes queixam-se de sensações de latejar nos braços e pernas, cãimbras musculares e coordenação diminuída. Ocorreram também instabilidade cardiovascular e respostas dificultadas à insulina, histamina e ACTH (uma hormona de stress).

Quando homens jovens saudáveis foram alimentados com uma dieta virtualmente livre de ácido pantoténico durante 9 meses, os únicos sintomas observados foram apatia e fadiga.

A deficiência dietária de ácido pantoténico em animais resulta numa variedade alargada de anormalidades, tais como crescimento retardado, fertilidade diminuída, lesões gastro-intestinais, problemas neuromusculares, problemas dermatológicos, necrose da glândula supra-renal e morte súbita.

Grupos em risco de deficiência

Dado que o álcool interfere com a utilização do ácido pantoténico, as pessoas que ingerem álcool em excesso tem necessidades aumentadas. Têm sido encontrados baixos níveis de ácido pantoténico no sangue de mulheres que tomam contraceptivos orais e cuja ingestão seria considerada adequada. A excreção urinária do ácido pantoténico é aumentada pela diabetes e a absorção pode ser dificultada em pessoas com problemas do tracto digestivo. Os estudos populacionais mostraram que os idosos tem normalmente baixa ingestão e níveis sanguíneos sub-óptimos. A partir das experiências animais pode-se considerar que as necessidades de ácido pantoténico sejam aumentadas durante o crescimento, gravidez e amamentação. Também foi sugerido que várias complicações pós-cirúrgicas possam ser devidas a deficiência em ácido pantoténico.

Dose Diária Recomendada (DDR)

É geralmente acordado que existe informação disponível insuficiente na qual basear uma DDR para o ácido pantoténico. Assim, a maioria dos países que estabelece recomendações dá apenas uma estimativa dos níveis seguros e adequados para uma ingestão diária. Estes variam entre os 2 e os 14 mg para os adultos. As recomendações dietárias do Comité de Alimentação e Nutrição de 1989 do Conselho Nacional de Investigação americano sugerem uma ingestão dos 4 aos 7 mg diários, baseada na ingestão média estimada dos habitantes bem alimentados dos EUA e na correspondente excressão na urina. A dose temporária para as crianças é de 2-3 mg diários, aumentando gradualmente para os níveis dos adultos até aos 11 anos. Não é proposta qualquer dose adicional para as mulheres grávidas ou que amamentam.

Suplementos

O ácido pantoténico puro é um óleo higroscópico viscoso que não é muito estável quimicamente. Os suplementos contêm assim normalmente sais de cálcio ou o álcool, pantenol. Ambos são bastante hidrossolúveis e convertem-se rapidamente em ácido livre no corpo. O pantotenato de cálcio é incluido frequentemente em preparações de multivitamínicos; o pantenol é a forma mais comum utilizada em monopreparações, as quais estão disponíveis numa varidade de formas farmacêuticas (p.ex. soluções para injecções e aplicação local, aerossóis, comprimidos, unguentos e cremes).

Utilização terapêutica

Embora sejam raramento observados estados de deficiência isolados, vários investigadores notaram variações nos níveis de ácido pantoténico em várias doenças e quantidades farmacológicas da vitamina são utilizadas no tratamento de numerosas doenças. No entanto em muitos casos as respostas terapêuticas publicitadas não foram confirmadas por estudos controlados em seres humanos.

Para o tratamento da deficiência devido à absorção diminuída, são recomendadas injecções intravenais ou intramusculares de 500 mg, várias vezes por semana. O íleo pós-operativo (paralisia do intestino), requer doses de até 1000 mg a cada seis horas. O pantenol é aplicado topicamente na pele e mucosas para acelerar o processo de cura de feridas, úlceras e inflamações, bem como em cortes e raspões, queimaduras, queimaduras solares, assadura das fraldas, escaras, laringite e bronquite.

O ácido pantoténico foi experimentado, com resultados variáveis, em várias doenças hepáticas e na artrite, para tratar constipações nos idosos, para prevenir a retenção urinária após cirurgia ou parto e (juntamente com a biotina) contra a calvície. Tem sido também relatado como tendo um efeito protector contra as náuseas devido a radiação.

Segurança

O ácido pantoténico é geralmente considerado como sendo não-tóxico e nunca foram relatados quaisquer casos de hipervitaminose. Quantidades tão elevadas como 10 g em seres humanos apenas produziram pequenas perturbações gastro-intestinais.

Outras aplicações

O pantenol é utilizado frequentemente em produtos cosméticos. Nos produtos para o cuidado da pele, ajuda a manter a pele hidratada e suave, estimula o crescimento das células e a reparação dos tecidos e inibe a inflamação e a vermelhidão. Como hidrantante e amaciador em produtos para o cabelo, protege contra e repara os danos devido a procedimentos químicos e mecânicos (secador, escovagem, champô, permanente, coloração, etc.) dando brilho.

História

1931

Williams e Truesdail separam uma fracção de ácido de ?bios?, o factor de crescimento para a levedura descoberto em 1901 por Wildiers.

1933

Williams et al mostram que esta fracção é uma substância ácida única essencial ao crescimento da levedura. Dado que se encontra numa variedade alargada de materiais biológicos, sugerem chamar-lhe ?ácido pantoténico?.

1938

Williams et al estabelecem a estrutura do ácido pantoténico.

1939

Jukes e Woolley et al mostram independentemente a semelhança entre o ácido pantoténico e o factor anti-dermatite dos frangos.

1940

A síntese total da vitamina é alcançada independentemente por Williams e Major, Stiller e associados, Reichstein e Grüssner, Kuhn e Wieland.

1947

Lipmann e os seus associados identificam o ácido pantoténico como um dos componentes do coenzima que descobriram no fígado dois anos antes.

1953

A estrutura completa do coenzima A é elucidada por Baddiley et al. Lipmann recebe o prémio Nobel juntamente com Krebs pelo seu trabalho com o coenzima A e o seu papel no metabolismo.

1954

Bean e Hodges relatam que o ácido pantoténico é essencial para a nutrição humana. Subsequentemente, eles e os seus colegas conduzem vários estudos de forma a produzir sintomas de deficiência em seres humanos saudáveis, utilizando o antagonista ácido pantoténico omega-metilo.

1965

Pugh e Wakil identificam a proteína transportadora de acil, como mais uma forma activa do ácido pantoténico.

1976

Fry e os seus associados medem a resposta metabólica dos humanos a uma deprivação do ácido pantoténico sem envolvimento de um antagonista.

 Fontes de Niacina:

100 gramas de alimento

Quantidade em miligramas

100 gramas de alimento

Quantidade em miligramas

Abóbora moranga

3.280

Feijão-preto, cru

4.000

Alfarroba

3.660

Fruta pão (farinha)

2.500

Amendoim com película

13.000

Lêvedo de cerveja em pó

57.000

Amendoim amarelo (só a película)

30.000

Ovo de galinha (inteiro)

4.250

Amendoim roxo(só a película)

41.430

Pimentão doce

10.200

Arroz (só o farelinho)

13.000

Tâmara fresca

4.000

Castanha-do-pará

7.717

Tâmara dessecada

3.184

Trigo (integral)

3.680

Trigo(germe)

6.000

 



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