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   Vitamina B1 (Tiamina)

 

 

A vitamina B1 é indispensável à saúde do sistema nervoso, e como fator do crescimento normal, da regularidade do metabolismo e da manutenção do apetite. É antiberibérica e antineurítica. "A absorção dá-se principalmente no intestino delgado, mas também no grosso intestino, e, uma vez absorvida, dirige-se aos vários tecidos e órgãos, sobretudo para o fígado e coração, que são os órgãos mais ricos em tiamina, mas também para os rins, cérebro, glândulas supra-renais, baço, pulmões e para os músculos que contêm, a despeito de sua concentração relativamente baixa, metade de toda a tiamina do organismo". Sua deficiência produz vários sintomas associados com o beribéri.

Chegou-se a interessantes conclusões a respeito das manifestações nervosas e mentais decorrentes da deficiência em vitamina B1 no organismo humano. Os primeiros e mais freqüentes sinais observados nos indivíduos submetidos à experiência, foram: diminuição da memória (cansaço menta), falta de atenção, fraqueza muscular, redução da capacidade mental.

Esses são também os primeiros sintomas que aparecem nos alcoólatras crônicos. É fácil explicar: o álcool é um grande destruidor da vitamina B1.

Também se pode dizer que o álcool, no organismo, atua não só como destruidor da vitaminas B1 mas causa perda de apetite, sensação de mal-estar no estômago após as refeições, náuseas e vômitos.

A tiamina é termolábil (destrói-se na temperatura elevada) e hidrossolúvel (solúvel em água).

Sinónimos

Tiamina; factor anti-beribéri; aneurina; factor anti-neurítico.

Principais Fontes na Natureza

A tiamina ocorre de modo generalizado nos alimentos, mas na maioria dos casos em quantidades pequenas. A melhor fonte de tiamina é a levedura de cerveja seca. Outras fontes incluem a carne (porco, cordeiro, vaca), aves, cereais de grão inteiro, nozes, leguminosas, legumes secos e alimentos de origem animal.

Nos grãos de cereais, o farelo rico em tiamina é removido durante a moagem do trigo para produzir a farinha branca e durante o polimento do arroz integral para produzir arroz branco.

Homem

O homem e outros primatas dependem da sua ingestão de alimentos para cobrir as suas necessidades em vitamina B1.

Estabilidade

A vitamina B1 é instável ao calor, meios alcalinos, oxigénio e radiação. A hidrossolubilidade é também um factor de perda de tiamina a partir dos alimentos. Cerca de 25% da tiamina nos alimentos é perdida durante o processo de cozedura normal. Podem ser perdidas quantidades consideráveis na água de descongelação dos alimentos congelados ou na água utilizada para cozinhar carnes e vegetais. Para preservar a tiamina, os alimentos devem ser cozinhados num recipiente coberto durante o mais curto de espaço de tempo possível e não devem ser mergulhados em água ou aquecidos durante muito tempo. Os sucos e a água utilizada para a cozedura devem ser reutilizados em guisados e molhos.

Prinicipais antagonistas

Vários alimentos, tais como o café, o chá e o peixe cru, nozes de bétele e alguns cereais podem actuar como antagonistas.

Os medicamentos que causam náusea e perda de apetite, aumento da função intestinal ou da excreção urinária, diminuem a disponibilidade da tiamina.

O envenenamento por arsénico ou outros metais pesados produz os sintomas neurológicos da deficiência de tiamina. Estes metais agem bloqueando um passo metabólico crucial envolvendo a tiamina na sua forma de coenzima.

Principais sinergistas

Vitamina B12, B1, B6, niacina, ácido pantoténico.

Funções

A tiamina é essencial para o metabolismo dos hidratos de carbono através da suas funções coenzimáticas. As coenzimas são ?moléculas auxiliares? que activam as enzimas, as proteínas que controlam os milhares de processos bioquímicos que ocorrem no corpo. A coenzima da tiamina ? pirofosfato de tiamina PFT - é a chave para várias reacções na decomposição da glucose em energia. A PFT actua como coenzima na descarboxilação oxidativa e nas reacções de transcetolização. A tiamina também desempenha um papel na condução dos impulsos nervosos e no metabolismo aeróbico.

Deficiência marginal

Vários inquéritos sobre nutrição mostraram que a tiamina é deficiente marginalmente num número relativamente grande de pessoas e deve, por isso, ser considerada uma vitamina problema. A deficiência marginal de tiamina pode manifestar-se em sintomas tão vagos como fadiga, irritabilidade e falta de concentração. Situações frequentemente acompanhadas por deficiência marginal de tiamina e que necessitam de suplementação são:

  • a gravidez e a amamentação
  • grandes esforços físicos
  • elevado consumo de álcool
  • elevada ingestão de hidratos de carbono
  • certas doenças (disenteria, diarreia, cancro, náuseas/vómitos, doenças hepáticas, infecções e hipertiroidismo).

Deficiência franca

As duas principais doenças relativas à deficiência em tiamina são o beribéri (prevalecente no Oriente) e o síndroma de Korsakoff. O beribéri, que traduzido significa ?não posso, não posso?, mostra-se primariamente em desordens dos sistemas nervoso e cardiovascular. Existem três tipos de beribéri: o beribéri seco, uma polineuropatia com grave perda de massa muscular; o beribéri húmido com edema, anorexia, fraqueza muscular, confusão mental e finalmente falha cardíaca; e o beribéri infantil, no qual os sintomas de vómitos, convulsões, distensão abdominal e anorexia aparecem de repente e podem ser seguidos por morte por falha cardíaca.

O beribéri foi em tempos endémico em países onde o arroz polido constituía uma grande parte da dieta, especialmente no sudoeste asiático. Hoje em dia, muitos países fortificam o arroz e outros grãos de cereais de forma a substituir os nutrientes perdidos durante o processamento.

Actualmente é o síndroma de Korsakoff que se encontra com mais frequência. A deficiência é causada por uma combinação de factores, incluindo a ingestão inadequada (como na situações em que o álcool substitui os alimentos), absorção diminuída e aumento das necessidades. Embora esteja associado ao álcool, o síndroma encontra-se também ocasionalmente em pessoas que fazem jejum ou sofrem de vómitos crónicos. Os sintomas vão de confusão e depressão leves a psicose e coma. Se o tratamento for adiado, a memória pode ser permanentemente afectada.

Dose Diária Recomendada (DDR)

As necessidades de tiamina estão ligadas à ingestão de energia por causa do seu papel no metabolismo dos hidratos de carbono. Para adultos, a Dose Diária Recomendada é de 0,5 mg por 1000 kcal, o que significa uma quantidade de 1,0-1,1 mg por dia para mulheres e 1,2-1,5 mg para homens, baseadas na ingestão calórica média. Podem ser recomendados 0,4 a 0,5 mg adicionais por dia durante a gravidez e amamentação. As necessidades das crianças são inferiores: 0,3-0,4 mg/dia (bebés) e 0,7-1,0 mg/dia (crianças), dependendo da idade e ingestão calórica da criança.

Suplementos

A tiamina é frequentemente formulada em suplementos multivitamínicos em combinação com outras vitaminas do complexo B. Algumas pessoas tomam levedura de cerveja como uma forma de suplementação de tiamina.

Utilização terapêutica

A tiamina é específica no tratamento do beribéri e em outras manifestações de deficiência de vitamina B1 (p.ex. síndroma de Korsakoff, nevrite periférica).O intervalo de dosagem vai de 100 mg/dia em estados de deficiência leves, a 200 mg-300 mg em casos graves.

A administração de tiamina é benéfica frequentemente na neurite acompanhada por consumo excessivo de álcool ou na gravidez. Com a polineuropatia alcoólica, a dose terapêutica está frequentemente no intervalo de 10-15 mg/dia. Quando o alcoolismo leva ao delirium tremens, são administradas por injecção lenta grandes doses de vitamina B1 em conjunto com outras vitaminas. Foram aconselhadas elevadas dose de tiamina (100-600 mg) no tratamento de situações tão diferentes como o lumbago, ciática, nevrite trigeminal, paralesia facial e nevrite óptica. A resposta a este tratamento tem sido, no entanto, variável.

Segurança

A tiamina é bem tolerada em pessoas saudáveis, mesmo com doses orais muito elevadas. A única reacção encontrada nos seres humanos é do tipo hipersensitivo. Na grande maioria dos casos estas reacções de hipersensibilidade ocorreram após injecções com tiamina em pacientes com uma história de reacções alérgicas. Na administração por via parentérica a dose que produziu estas reacções variou de 5 a 100 mg, a maioria das quais ocorreram nas quantidades mais elevadas. Foram também relatados casos bastante raros de reacções de hipersensibilidade após doses orais extremamente elevadas (na casa dos 5-10 g). Todas estas reacções foram transitórias e assim a margem de segurança para a administração oral é bastante alargada.

História

A história da tiamina é ao mesmo tempo fascinante e importante, dado que foi através da descoberta e denominação da tiamina que a palavra ?vitamina? (do Latim vita=vida, amina=composto contendo nitrogénio) foi criada. Para além disso, a noção de que a ausência de uma substância nos alimentos podia causar uma doença era revolucionária no inicio de 1900s. A pesquisa inicial da tiamina estabeleceu, assim, as fundações para toda a pesquisa sobre nutrição que se seguiu.

Sec. VII.

A primeira descrição clássica do beribéri no ?Tratado Geral sobre a Etiologia e Sintomas de Doença? (autor: Ch?ao-Yuan-fang Wu Ching).

1882-86

K. Takaki, cirurgião geral, diminui dramaticamente a incidência do beribéri na marinha japonesa ao melhorar a dieta dos soldados.

1897

Os oficiais médicos holandeses Eijkman e Grijns mostram que os sintomas de beribéri podem ser produzidos em frangos alimentadas com arroz polido e que estes sintomas podem ser evitados ou curados com uma alimentação de farelo de arroz.

1912

Casimir Funk isola o factor anti-beribéri de extractos de farelo do arroz e chama-lhe vitamina ? uma amina essencial à vida. O nome é facilmente aceite e ajuda a focar a atenção no novo conceito de doenças de deficiência.

1915

McCollum e Davis propõe a vitamina hidrossolúvel B1 como factor anti-beribéri.

1926

Jansen e Donath isolam o factor anti-beribéri do farelo do arroz.

1927

O Conselho de Investigação Médico Britânico propõe a vitamina B1 como factor anti-beribéri.

1936

Robert R. Williams, que começou inicialmente as suas investigações com a vitamina B1 e o beribéri em Manila por volta de 1910, identifica e publica a fórmula química e dá-lhe o nome de tiamina.

1937

É conseguida a primeira produção comercial de tiamina.

1943

Williams et al e Foltz et al conduzem estudos sobre dieta que mostram a deficiência generalizada de tiamina nos EUA.

1943

São criados pelo Comité de Nutrição e Alimentação dos EUA padrões de identidade para a farinha enriquecida, determinando que a tiamina, a niacina, a riboflavina e o ferro sejam adicionados à farinha branca.

 Ricas fontes de tiamina:

100 gramas de alimento

Conteúdo em tiamina (microgramas)

100 gramas de alimento

Conteúdo em tiamina (microgramas)

Abóbora moranga

360

Aveia (flocos)

530

Alho

224

Castanha-do-pará

1.094

Amendoim cru com a película

1.300

Centeio (germe)

                  2.200

Amendoim cru sem a película

1.100

Cevada (germe)

4.200

Amendoim torrado com a película

370

Leite (cru, integral, de vaca)

104

Amendoim torrado sem a película

220

Lêvedo de cerveja em pó

14.050

Amendoim vermelho (só a película)

3.860

Ovo de galinha (inteiro)

135

Amendoim amarelo (só a película)

5.250

Soja fresca

900

Arroz integral

320

Tamarindo (polpa)

370

Arroz (farelinho)

1.400

Trigo (germe)

450

 



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