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Conheça o Cigarro

 
 
O berço no qual se disseminou a nicotina conduzida pelo tabaco foi a América. É de tempos imemoráveis o costume dos aborígines americanos de fumar tabaco nas cerimônias religiosas. É um enigma que tantas culturas indígenas espalhadas neste continente, as quais dificilmente podiam contactar-se, vivenciassem ritual semelhante mágico-religioso, sagrado, no qual o sacerdote, cacique ou pajé e seus circunstantes entravam em transe aspirando o fumo do tabaco.
 
Colombo aportou nestas paragens, plantava-se tabaco em todo o continente. O primeiro contacto do mundo civilizado com a nicotina ocorreu no século XVI. Esta chegou à Europa por quatro caminhos: Espanha, Portugal, França e Inglaterra.
 
O tabaco espalhou-se pela Europa como rastilho de pólvora. Cinqüenta anos após sua chegada, praticamente se fumava cachimbo em todo o continente: nobres, plebeus, soldados e marinheiros.
 
Rapidamente o tabaco integrou-se a todas as populações do mundo civilizado.
 
A partir do século XVII, na Europa, praticamente todos os generais, soldados e populares fumavam.
 
Logo que chegou à Europa, o tabaco alterou imediata e dramaticamente o contexto da política econômica dos governos, tornando-se a maior fonte de renda dos cofres públicos.
 
Chegando o tabaco ao mundo civilizado, a maneira comum de consumi-lo foi o cachimbo. Este dominou por quase três séculos.
 
A partir do século XVIII, espalhou-se a mania de aspirar rapé, que reinou por uns 200 anos. Os nobres usavam tabaqueiras até de ouro cravejadas de diamantes. Prosperou a indústria da ourivesaria miniaturizada, executada por artistas notórios. Havia os que usavam uma tabaqueira por dia, possuindo centenas de tipos diferentes.
 
O povo, sem posses, usava o rapé deposto no dorso do polegar da mão, que flexionado forma uma fosseta triangular. Nos livros de anatomia é chamada de “tabaqueira anatômica”
 
O charuto teve seu reinado no século XIX. Sua popularidade entre os abastados simbolizava elevado status econômico-social. Nos Estados Unidos, havia a figura do “uncle san” de cartola e com um enorme charuto na boca.
 
O cigarro surgiu em meados do século XIX. Na Espanha, porém, muito antes já se fumava tabaco enrolado em papel, denominado “papelete”. Existe uma tapeçaria, desenhada por Goya em 1747, figurando jovens com cigarros entre os dedos. Parece que o termo “cigarillos” em espanhol deriva de cigarral, nome dado a hortas e plantações invadidas por cigarras. O nome generalizou-se: cigarette em francês, inglês e algumas outras línguas; zigarette em alemão; sigaretta em italiano e cigarro em português. Em várias línguas, cigarro ou cigar referem-se a charuto. Paris foi invadida pelo cigarro em 1860. Nos Estados Unidos, houve verdadeira explosão do cigarro na década de 1880, quando se inventou uma máquina que produzia duzentas unidades por minuto. Logo, surgiram máquinas produzindo centenas de milhões por dia. O cigarro teve sua expansão por ser mais econômico, mais cômodo de carregar e usar do que o charuto ou o cachimbo. A primeira grande expansão mundial foi após a Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918. Entretanto, sua difusão foi praticamente no sexo masculino. A difusão entre as mulheres cresce após a Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945.
 
A nicotina transportada pelo tabaco envolucrado no cigarro, generalizou-se pelo mundo, através de inusitada transculturação.
 
Em linhas gerais, traçamos o panorama da difusão da nicotina no mundo. Essa droga é a mola mestra da universalização do tabaco. Como o uso dos derivados do tabaco inicia-se, em 99% dos casos, na adolescência, aos 19 anos de idade, mais de 90% já estão dependentes da nicotina. Por isso, o tabagismo é considerado doença pediátrica provocada pela nicotina.
 
Textos retirados da Apostila: Nicotina - Droga Universal -
 
Derivados do Tabaco
 
O tabaco pode ser usado de diversas maneiras de acordo com sua forma de apresentação: inalado (cigarro, charuto, cigarro de palha); aspirado(rapé); mascado(fumo-de-rolo), porém sob todas as formas ele é maléfico à saúde.
 
O tabaco usado para produzir cigarros é ácido e por isso, o fumante precisa tragar para que a nicotina seja absorvida nos pulmões; já o tipo de tabaco usado para cachimbo e charuto é alcalino, permitindo que a nicotina seja absorvida pela mucosa da boca. Isso explica por que os fumantes destes dois últimos não têm tanta necessidade de tragar o fumo para se satisfazer. Logo, a idéia de que os charutos são menos prejudiciais à saúde é incorreta, pois todos os produtos derivados do tabaco tem uma composição semelhante, inclusive os cigarros com mentol, filtros especiais, etc.
 
Dentre as principais substâncias presentes nos charutos estão a nicotina, que é uma droga psicoativa, levando o fumante à dependência química; o monóxido de carbono, que provoca doenças cardiovasculares/pulmonares; e o alcatrão, que é altamente cancerígeno. Há que se destacar que entre os fumantes de charutos as taxas de monóxido de carbono são mais altas e a saturação de oxigênio no sangue é menor que entre os fumantes de cigarros.
 
Você sabia?
 
• A fumaça dos charutos contém os mesmos compostos tóxicos do que os identificados na fumaça dos cigarros.
• Quando animais de laboratório são expostos ao alcatrão presente na fumaça de charutos, apresentam os mesmos riscos de desenvolver câncer do que os expostos à fumaça de cigarros.
• As diferenças de riscos de adoecimento entre os fumantes de charutos e de cigarros parecem ser relativas aos padrões de consumo, ou seja, como fumantes de charutos não fumam com a mesma freqüência que os fumantes de cigarros, portanto, também inalam os compostos tóxicos com menos freqüência.
• A quantidade de nicotina livre desprotonada é muito maior nos charutos do que nos cigarros, pois o pH da fumaça dos charutos é mais elevado. Esta nicotina livre é bem absorvida pela mucosa da boca e pode explicar porque os fumantes de charutos apresentam maior incidência de câncer de boca e língua.
 
Além disso, é fato comprovado que os não fumantes que convivem com fumantes também são agredidos pela fumaça, tornando-se fumantes passivos.
 
Componentes
 
Atualmente, são identificados 4.720 componentes do cigarro. Todos, sem exceção, altamente lesivos ao organismo, tanto para o fumante ativo como para o fumante passivo.
A seguir abordaremos algumas dessas substâncias e suas ações sobre o organismo.
 
- Nicotina: é o mais importante agente farmacológico do tabaco, responsável pelo vício, ou seja, tabaco-dependência. Encontra-se entre os mais tóxicos venenos de efeito rápido. Em vários países é controlada pelos serviços de fiscalização de tóxicos.
 
- Alcatrão: substância particulada, inalada quando o fumante traga o cigarro aceso. Cada partícula de alcatrão á composta por uma variedade de produtos químicos orgânicos e inorgânicos (nitrogênio, oxigênio, hidrogênio, dióxido de carbono, monóxido de carbono) e uma extensa variedade de produtos orgânicos voláteis e semivoláteis. No alcatrão são encontradas várias substâncias altamente carcinogênicas (que atuam no desenvolvimento do câncer).
 
- Monóxido de Carbono: tem numerosos efeitos negativos sobre o organismo, sendo o efeito mais importante dificultar o transporte de oxigênio para os tecidos do corpo.
 
- Amônia: é um agente cáustico usado em fertilizantes e desinfetantes; é o componente responsável por aumentar a facilidade em adquirir infecções virais, além de agravar o enfisema e a bronquite crônica.
 
- Componentes Radioativos: destacamos o urânio, o polônio 210, o carbono 14, dentre outros, sendo considerados substâncias cancerígenas. O teor dos elementos radioativos presentes no cigarro, absorvido por um fumante médio (15 cigarros por dia), corresponde a uma quantidade equivalente à realização de 350 radiografias por ano, quase uma radiografia por dia durante o ano.
 
A Fumaça
 
A fumaça é uma mistura de partículas sólidas, líquidos e gases.
 
A fumaça produzida pelo ato de fumar é o resultado da queima incompleta da matéria orgânica existente nos produtos derivados do tabaco e depende das características das folhas, além da quantidade e qualidade dos aditivos químicos que lhes são acrescentados durante o processo de cultivo, armazenagem e industrialização, bem como do aporte de oxigênio e do grau da temperatura existente na ponta dos seus derivados, principalmente na do cigarro. Neste, por exemplo, quando aceso, a temperatura varia de 835°C a 884°C, quando ocorre combustão completa.
 
Os componentes do tabaco encontram-se sob duas formas na fumaça: sob a forma particulada (ou condensada) e sob a forma de gases.
 
A fase particulada corresponde a 95% do fumo e nela é encontrado o componente aditivo, a nicotina (substância existente na folha do tabaco, líquida, incolor e com odor característico), e o alcatrão, que é uma mistura de diversos componentes, (líquido, negro e viscoso) obtido na destilação de várias substâncias orgânicas, como o petróleo, a madeira e o carvão.
 
Oitenta e cinco por cento da fumaça exalada e inalada é absorvida pelo organismo sendo que 15% é queimada na ponta do cigarro. Mas, antes mesmo de ser inalada, na fumaça total existem reagentes que provocam envelhecimento e absorção de radioativos.
 
Fonte: PrevFumo
 
Tabagismo Passivo
 
Define-se tabagismo passivo como a inalação da fumaça de derivados do tabaco (cigarro, charuto, cigarrilhas, cachimbo e outros produtores de fumaça) por indivíduos não-fumantes, que convivem com fumantes em ambientes fechados. A fumaça dos derivados do tabaco em ambientes fechados é denominada de poluição tabagística ambiental (PTA) e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a maior em ambientes fechados e o tabagismo passivo, a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, subsequente ao tabagismo ativo e ao consumo excessivo de álcool (IARC, 1987; Surgeon General, 1986; Glantz, 1995).
 
O ar poluído contém, em média, três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono, e até cinqüenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro.
 
A absorção da fumaça do cigarro por aqueles que convivem em ambientes fechados com fumantes causa:
 
1 - Em adultos não-fumantes:
 
• Maior risco de doença por causa do tabagismo, proporcionalmente ao tempo de exposição à fumaça;
• Um risco 30% maior de câncer de pulmão e 24% maior de infarto do coração do que os não-fumantes que não se expõem.

2 - Em crianças:
 
• Maior freqüência de resfriados e infecções do ouvido médio;
• Risco maior de doenças respiratórias como pneumonia, bronquites e exarcebação da asma.

3 - Em bebês:
 
• Um risco 5 vezes maior de morrerem subitamente sem uma causa aparente (Síndrome da Morte Súbita Infantil);
• Maior risco de doenças pulmonares até 1 ano de idade, proporcionalmente ao número de fumantes em casa.
 
Fumantes passivos também sofrem os efeitos imediatos da poluição tabagística ambiental, tais como, irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaléia, aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias e aumento dos problemas cardíacos, principalmente elevação da pressão arterial e angina (dor no peito). Outros efeitos a médio e longo prazo são a redução da capacidade funcional respiratória (o quanto o pulmão é capaz de exercer a sua função), aumento do risco de ter aterosclerose e aumento do número de infecções respiratórias em crianças.
 
Os dois componentes principais da poluição tabagística ambiental (PTA) são a fumaça exalada pelo fumante (corrente primária) e a fumaça que sai da ponta do cigarro (corrente secundária). Sendo, esta última o principal componente da PTA, pois em 96% do tempo total da queima dos derivados do tabaco ela é formada. Porém, algumas substâncias, como nicotina, monóxido de carbono, amônia, benzeno, nitrosaminas e outros carcinógenos podem ser encontradas em quantidades mais elevadas. Isto porque não são filtradas e devido ao fato de que os cigarros queimam em baixa temperatura, tornando a combustão incompleta (IARC, 1987). Em uma análise feita pelo INCA, em 1996, em cinco marcas de cigarros comercializados no Brasil, verificou-se níveis duas 2 vezes maiores de alcatrão, 4,5 vezes maiores de nicotina e 3,7 vezes maiores de monóxido de carbono na fumaça que sai da ponta do cigarro do que na fumaça exalada pelo fumante. Os níveis de amônia na corrente secundária chegaram a ser 791 vezes superior que na corrente primária. A amônia alcaliniza a fumaça do cigarro, contribuindo assim para uma maior absorção de nicotina pelos fumantes, tornando-os mais dependentes da droga e é, também, o principal componente irritante da fumaça do tabaco (Ministério da Saúde, 1996).
 
Efeitos da fumaça sobre a saúde da criança
 
Se a mãe fuma depois que o bebê nasce, este sofre imediatamente os efeitos do cigarro.
 
Durante o aleitamento, a criança recebe nicotina através do leite materno, podendo ocorrer intoxicação em função da nicotina (agitação, vômitos, diarréia e taquicardia), principalmente em mães fumantes de 20 ou mais cigarros por dia.
 
Em recém-nascidos, filhos de mães fumantes de 40 a 60 cigarros por dia, observou-se acidentes mais graves como palidez, cianose, taquicardia e crises de parada respiratória, logo após a mamada.
 
Estudos mostram que crianças com sete anos de idade nascidas de mães que fumaram 10 ou mais cigarros por dia durante a gestação, apresentam atraso no aprendizado quando comparadas a outras crianças: observou-se atraso de três meses para a habilidade geral, de quatro meses para a leitura e cinco meses para a matemática.
 
Em crianças de zero a um ano de idade que vivem com fumantes, há uma maior prevalência de problemas respiratórios (bronquite, pneumonia, bronquiolite) em relação àquelas cujos familiares não fumam. Além disso, quanto maior o número de fumantes no domicílio, maior o percentual de infecções respiratórias, chegando a 50% nas crianças que vivem com mais de dois fumantes em casa.
 
É, portanto, fundamental que os adultos não fumem em locais onde haja crianças, para que não sejam transformadas em fumantes passivos.
 
Dependência
 
O cérebro dos fumantes possui uma enorme quantidade de receptores que viabilizam a ação da nicotina nas células. Esta ação proporciona a liberação de substâncias como dopamina, noradrenalina, serotonina e outras. Estas substâncias são responsáveis, entre outras coisas, por sensações de prazer, melhora da concentração, melhora do humor, etc. Este mecanismo cria, então, o "vício físico", também chamado de dependência.
 
O aspecto principal do vício é que, se você não tiver a droga, vai desejá-la. E, depois de consumir a substância formadora de vício por um longo período, você fica tão acostumado a ela que, lentamente, descobre que precisa cada vez mais dela para conseguir o mesmo efeito. Isso é o que acontece com a nicotina.
 
Outro aspecto do vício é que você continua a tê-lo, embora não seja gostoso ou não se sinta bem e saiba que lhe faz mal. Estudos feitos em fumantes assíduos - aqueles que fumam em média 20 cigarros por dia - mostraram que o fumante deseja apenas 3 ou 4 cigarros por dia. Os outros são fumados apenas para manter elevado o nível de nicotina no sangue.
 
A dependência psicológica está intimamente integrada ao estilo de vida, ou seja, aos condicionamentos do cotidiano do fumante. O estresse costuma aumentar a vontade: uma discussão, um engarrafamento de trânsito, ouvir notícias preocupantes. Situações agradáveis, como conversar em uma festa, beber com os amigos ou relaxar depois do jantar também motivam o desejo por um cigarro.
 
Baixos Teores
 
O modo de fumar é determinado pela necessidade do fumante de consumir nicotina (que lhe traz a sensação de satisfação). Ao fumar cigarros com baixos teores, o fumante passa a utilizar alguns artifícios para alcançar tal sensação. Assim, para obter uma quantidade de nicotina que satisfaça a sua dependência, dá tragadas mais profundas, aumenta o número de tragadas por cigarro e o número de cigarros fumados ou bloqueia os orifícios de ventilação dos filtros. Como resultado, aumenta a concentração de fumaça inalada durante a tragada.
 
Esses artifícios de compensação são conhecidos e têm sido extensivamente documentados na literatura científica, sendo bem conhecidos da indústria do tabaco há mais de 20 anos. Testes demonstram que, em "condições de fumo realísticas", existe uma diferença muito pequena entre os cigarros denominados "light" e os comuns. Na verdade, eles podem até produzir quantidades maiores de alcatrão, nicotina e monóxido que os cigarros tradicionais testados.
 
Por mais que a indústria do fumo afirme que realiza pesquisas visando ao desenvolvimento de produtos alternativos, na verdade, esses estudos procuram desenvolver produtos e formas de que reduzam o teor de determinadas substâncias, como o alcatrão, por exemplo, mas sempre mantendo a nicotina, que é a substância que causa a dependência.
 
Em março de 2001, o Ministério da Saúde regulamentou uma medida (Resolução da Anvisa nº 46) proibindo o uso dos termos classes, ultra baixos teores, baixos teores, suave, light, soft, leve, teores moderados, altos teores, e outros que possam induzir o consumidor a uma interpretação equivocada no uso de derivados do tabaco.
 
Dados no Mundo
 
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam. Enquanto nos países em desenvolvimento os fumantes constituem 48% da população masculina e 7% da população feminina, nos países desenvolvidos a participação das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24% das mulheres têm o hábito de fumar.
 
O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia. Caso as atuais tendências de expansão do seu consumo sejam mantidas, esses números aumentarão para 10 milhões de mortes anuais por volta do ano 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade produtiva (entre 35 e 69 anos) (WHO, 2003).
 
O INCA desenvolve papel importante como Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Programa "Tabaco ou Saúde" na América Latina, cujo objetivo é estimular e apoiar políticas e atividades anti-tabagismo nessa região, e no apoio à elaboração da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, idealizada pela OMS para estabelecer padrões de controle do tabagismo em todo o mundo. Visando alcançar uma posição consensual sobre o assunto entre os países da América Latina, o INCA promoveu em 2001 o 1º Seminário Latino Americano sobre a Convenção Quadro para o Controle do Tabagismo. Anualmente o INCA coordena no Brasil as comemorações pelo Dia Mundial sem Tabaco.
 
Fonte: Instituto Nacional de Câncer
 
Dados no Brasil
 
O percentual de fumantes no Brasil é considerado alto quando comparado com outros países, principalmente da América Latina. Fuma-se mais na região Sul (42% dos habitantes da região), sendo Porto Alegre a detentora dos maiores índices conhecidos de câncer de pulmão no país. Embora se fume menos na região Nordeste (31% da população), este percentual é ainda considerado muito alto.
No Brasil, estima-se que cerca de 200.000 mortes/ano são decorrentes do tabagismo (OPAS, 2002).
 
A Prevalência de Fumantes no Campo e na Cidade
A proporção de fumantes na zona rural é maior do que na zona urbana em todas as faixas etárias. A prevalência de fumantes entre crianças e adolescentes (com idade entre 5 e 19 anos) é de 5% na zona urbana contra 6% na zona rural. Na população rural se encontram 30.531 menores de 10 anos fumando, comparados a 1.412 fumantes da população urbana na mesma faixa de idade. Provavelmente, esta diferença é causada pelo acesso limitado ao sistema de saúde e o baixo nível de informação sobre os malefícios do cigarro, associados à grande penetração das propagandas na zona rural e à necessidade de se copiar o estilo de vida urbano.
 
Distribuição de fumantes por Idade e Sexo
No Brasil, um terço da população adulta fuma, sendo 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. Noventa por cento dos fumantes ficam dependentes da nicotina entre os 5 e os 19 anos de idade. Atualmente, existem no país 2,8 milhões de fumantes nessa faixa etária.
 
A maioria dos fumantes tem entre 20 e 49 anos de idade. Os homens fumam em maior proporção que as mulheres em todas as faixas etárias. Porém, a mulher vem aumentando sua participação no número de fumantes, sobretudo na faixa etária mais jovem.
 
O uso inicial de tabaco é bastante precoce na vida dos estudantes da rede pública de ensino, sendo que, entre os 10 e 12 anos de idade cerca de 11,6% já fizeram pelo menos uso experimental do cigarro, de acordo com o estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID). Nesse mesmo trabalho foi observado que 6% dos adolescentes são usuários freqüentes do tabaco (Ministério da Saúde, 1997; CEBRID).
 
Até 2003 o INCA espera ter um quadro ainda mais abrangente sobre o perfil do fumante no Brasil e do impacto obtido pelo Programa Nacional de Controle do Tabagismo, com a realização do Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Agravos Não transmissíveis.
 
O Inquérito irá flagrar a situação da população em relação à exposição a fatores de risco de câncer e doenças não-transmissíveis, terá o financiamento da Fundação Nacional de Saúde e contará com a parceria do Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI) e de outros órgãos do Ministério da Saúde. A pesquisa abrangerá 19.000 domicílios e terá como alvo aproximadamente 54.000 pessoas a partir dos 15 anos, nas 26 capitais estaduais e no Distrito Federal. O período de realização da pesquisa será de um ano: entre junho de 2002 e junho de 2003.
 
Fonte: Instituto Nacional de Câncer
 


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